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Desvios: o que acontece quando o consumo não bate certo com a previsão

Os comercializadores compram energia ao mercado com base em previsões de consumo dos seus clientes. Quando o consumo real difere da previsão, para mais ou para menos, gera-se um desvio, liquidado a um preço diferente do mercado diário e normalmente menos favorável.

Em contratos indexados, parte deste custo pode ser repercutida na fatura. É uma das rubricas que passa mais despercebida e uma das que mais distingue propostas que, à primeira vista, parecem iguais.

Porque é que a energia tem de ser prevista?

A eletricidade não se armazena em quantidade à escala do sistema. A produção e o consumo têm de estar equilibrados a cada instante, e esse equilíbrio é organizado com antecedência: o mercado diário fecha a sessão do dia seguinte na véspera.

Isso significa que o comercializador tem de dizer, no dia anterior, quanta energia os seus clientes vão consumir em cada período. Compra essa quantidade. Se acertar, paga o preço de mercado. Se falhar, paga a diferença a um preço que não escolheu.

Quem paga o desvio?

Depende do contrato. Há três situações:

A pergunta a fazer a qualquer proposta indexada é simples: os desvios estão incluídos no preço apresentado ou são faturados à parte? Duas propostas com o mesmo valor por MWh podem ter custos finais muito diferentes consoante a resposta.

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O que aumenta os desvios?

Tudo o que torne o consumo difícil de prever:

O que é que a empresa pode fazer?

Telecontagens fiáveis e perfis de consumo estáveis ajudam a reduzir o impacto financeiro. Quanto melhores forem os dados que o comercializador tem sobre a sua empresa, menor é a margem de erro que ele tem de cobrir, e menor é o custo que lhe chega.

Para empresas com produção própria, faz diferença partilhar a previsão de produção, e não apenas a de consumo. Para empresas sazonais, faz diferença avisar com antecedência das paragens em vez de as deixar aparecer como desvio.

A Tarifa de Acesso às Redes é fixada anualmente pela ERSE. Os encargos de sistema e os coeficientes de perdas são publicados pela REN. Os preços grossistas citados vêm do OMIE, mercado diário MIBEL.

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