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Potência contratada: o que é e porque é que a sua empresa pode estar a pagar a mais
A potência contratada é o máximo de potência que pode usar em simultâneo, medido em kVA. Paga-a todos os meses, use-a ou não: é um valor fixo na fatura, independente do consumo.
É das poupanças mais rápidas que existem, porque não obriga a mudar de comercializador. Se a potência contratada estiver acima do que a instalação realmente precisa, está a pagar por uma reserva que nunca usa.
Porque é que existe uma potência contratada?
A rede tem de estar dimensionada para lhe entregar energia no momento em que mais precisa dela. Essa capacidade (cabos, transformadores, o ponto de entrega) tem um custo que existe quer a use, quer não.
A potência contratada é a forma de repartir esse custo: declara quanto pode puxar em simultâneo, e paga por essa disponibilidade. Por isso é que aparece na fatura como um valor mensal fixo, ao lado do consumo.
Como é que se paga a mais sem dar por isso?
Há três situações comuns:
- A instalação mudou e o contrato não. Equipamentos antigos foram substituídos por outros mais eficientes, uma linha de produção saiu, a iluminação passou a LED, e a potência ficou no valor de há dez anos.
- Foi dimensionada com margem a mais. No arranque, é comum contratar com folga generosa para evitar problemas. Essa folga raramente é revista depois.
- A atividade mudou de perfil. Uma empresa que deixou de trabalhar por turnos, ou que passou parte da produção para outro espaço, deixa de precisar do pico que precisava antes.
Como é que se sabe se está sobredimensionada?
A resposta está na própria fatura e nos registos do contador. O que interessa é a potência máxima efetivamente registada em cada período de faturação, comparada com a potência contratada.
Se houver uma distância consistente entre as duas ao longo de vários meses, e não apenas num mês atípico, há margem para baixar. A análise tem de olhar para um período alargado, porque baixar a potência com base num mês de atividade reduzida é a melhor forma de ter problemas mais tarde.
O que acontece se baixar de mais?
Se a instalação tentar puxar mais potência do que a contratada, o disjuntor atua e a alimentação é interrompida. Numa empresa com processos contínuos, um corte pode custar muito mais do que a poupança anual na potência.
É por isso que este ajuste se faz com margem de segurança e com os dados reais à frente, não por estimativa. O objetivo é retirar a folga que não serve para nada, não trabalhar no limite.
Isto é negociável?
Aqui há uma distinção que vale a pena fixar. O preço do termo de potência é regulado e igual em qualquer comercializador: não se negoceia. O que se pode mudar é o escalão contratado, e isso depende apenas da sua instalação e do seu perfil de consumo.
Ou seja: não é uma negociação comercial, é uma correção técnica. E é das poucas que produz efeito na fatura seguinte.
Os preços de mercado citados na Energia Verde Amarela vêm do OMIE (mercado diário MIBEL) e da REN. A Tarifa de Acesso às Redes é fixada anualmente pela ERSE.